Cara a Cara com Roberto Nogueira
As eleições de 2026 na Bahia começam a ganhar forma e, neste momento, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta um dos maiores desafios de seu mandato: convencer o eleitor de que sua gestão merece mais quatro anos à frente do Governo do Estado.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento mostram um cenário competitivo. Em alguns levantamentos, ACM Neto (União Brasil) aparece numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Palácio de Ondina. Na pesquisa Quaest, por exemplo, ACM Neto registra 41% das intenções de voto, contra 37% do atual governador. Apesar da vantagem numérica, esse resultado está dentro da margem de erro da pesquisa, caracterizando um empate técnico. Outros levantamentos, porém, apontam vantagens maiores para ACM Neto.
Além do cenário eleitoral, o governo enfrenta outro desafio importante: os indicadores sociais. Segundo o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), a Bahia figura entre os estados com pior desempenho em qualidade de vida no país.
No levantamento, o estado aparece na 22ª colocação nacional, com 58,72 pontos, figurando entre os seis piores resultados do estudo. A pesquisa analisa 12 grandes grupos de indicadores e busca medir os resultados dos investimentos sociais realizados nos municípios.
Entre os indicadores em que a Bahia apresentou os piores desempenhos estão o acesso à educação superior (33,99 pontos), os direitos individuais (35,67) e a segurança pessoal (42,2), em uma escala cuja nota máxima é 100. Esses resultados contribuíram para reduzir a média geral do estado, que ficou abaixo da média nacional.
Na área da educação, o IPS considera fatores como o percentual de trabalhadores com ensino superior, a participação de mulheres com ensino superior no mercado de trabalho e o desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo Beto Veríssimo, coordenador do IPS Brasil, o desempenho da Bahia nesses indicadores chamou a atenção de forma negativa.
A segurança pública também deverá ocupar posição central no debate eleitoral. Dados do Instituto Fogo Cruzado mostram que episódios de violência armada continuam frequentes em Salvador. Além disso, o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), coloca a Bahia entre os estados com pior desempenho em segurança pública do país. Esses indicadores tendem a influenciar diretamente a percepção da população sobre a atuação do governo.
Na avaliação de analistas políticos, temas como segurança pública, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico deverão dominar a campanha eleitoral. A forma como a população avalia o desempenho do governo nessas áreas poderá influenciar diretamente a decisão dos eleitores.
Outro aspecto importante será a capacidade de cada grupo político ampliar alianças e fortalecer sua presença no interior do estado. A Bahia possui um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, e o desempenho dos candidatos nas diferentes regiões poderá ser decisivo para o resultado da eleição.
Apesar dos números apresentados pelas pesquisas até o momento, a eleição ainda está distante. A história da política brasileira mostra que campanhas eleitorais podem mudar completamente o cenário, principalmente após a formação das alianças, o início da propaganda eleitoral e a realização dos debates.
Na política, as pesquisas representam o retrato de um determinado momento, mas não definem o resultado das urnas. Até a eleição, novos fatos, decisões de governo, alianças e o próprio desempenho dos candidatos poderão influenciar a opinião do eleitor baiano.
Como sempre digo, na política, o tempo costuma ser um dos principais protagonistas. Quem hoje aparece em vantagem precisa trabalhar para mantê-la. Quem enfrenta dificuldades precisa apresentar resultados concretos e recuperar a confiança da população para mudar o rumo da disputa.
