Cara a Cara / Roberto Nogueira
Na minha opinião, uma reflexão precisa ser feita depois do primeiro turno destas eleições. Muitos candidatos a deputado estadual e federal ligados à direita fizeram praticamente uma carreira solo durante a campanha e ficaram preocupados, principalmente, com suas próprias candidaturas.
Faltou, em muitos casos, uma participação mais efetiva na disputa nacional e uma demonstração mais clara de qual projeto político defendiam para o Brasil.
Na Bahia, acredito que essa discussão precisa ser feita também em relação à campanha de ACM Neto para governador.
É verdade que ACM Neto declarou apoio a Ronaldo Caiado para presidente no primeiro turno. Mas, na minha avaliação, quando a disputa política nacional se apresentava cada vez mais dividida entre o campo de Lula e o campo da direita ligado ao bolsonarismo, ACM Neto ficou em cima do muro.
Essa é a minha leitura política.
Em vários momentos, sua campanha pareceu preocupada em não afastar nem o eleitor de Lula nem o eleitor da direita. Para mim, esse foi um dos seus maiores erros políticos.
Um político precisa ter lado.
Quem é de direita precisa mostrar claramente aquilo em que acredita, assim como quem é de esquerda assume e defende suas posições. Tentar agradar a todos pode, no final, não representar verdadeiramente nenhum dos lados.
Depois do primeiro turno, ACM Neto declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Na minha opinião, esse posicionamento poderia ter sido muito mais claro desde antes.
Essa é uma discussão que a direita baiana precisa fazer.
Uma verdade também precisa ser reconhecida: a esquerda sabe fazer militância política. Seus apoiadores vão às ruas, defendem suas ideias, levantam suas bandeiras, participam das campanhas e procuram fortalecer aquilo em que acreditam.
Podemos discordar profundamente de suas ideias, mas não podemos ignorar sua capacidade de mobilização.
A direita da Bahia também precisa acordar.
É muito fácil dizer que é de direita, ficar dentro de casa esperando que as coisas mudem e depois apenas reclamar daqueles que estão no poder.
Não basta votar. É preciso ir para a rua — de maneira pacífica e democrática — e também participar, fiscalizar, cobrar e defender democraticamente aquilo em que acreditamos.
Ir para a rua não significa violência, intolerância ou desrespeito.
Significa exercer cidadania.
Significa participar do debate político, cobrar nossos representantes, defender ideias, acompanhar aquilo que os governos estão fazendo e demonstrar, dentro da lei e da democracia, qual país queremos construir.
Eu tenho meus princípios e minhas convicções.
Como homem de direita, os valores que defendo são Deus, Pátria e Família.
Essa é a minha posição, minha escolha e aquilo em que acredito.
Respeito quem pensa diferente, mas não tenho por que esconder aquilo que penso para agradar a ninguém.
Minha bandeira é verde e amarela. Minha bandeira é a bandeira do Brasil. Minha bandeira nunca será vermelha.
Isso não significa odiar quem pensa diferente.
Não significa desejar o mal de ninguém.
Significa simplesmente assumir publicamente aquilo em que acredito.
A democracia precisa permitir exatamente isso: que pessoas de direita, de esquerda ou de qualquer outra posição possam expressar suas convicções sem violência e sem perseguição.
Na Bahia, o PT governa o estado desde 2007. São praticamente duas décadas de continuidade de um mesmo grupo político.
Se quem deseja uma mudança permanecer acomodado, esperando que os outros façam aquilo que ele próprio não está disposto a fazer, dificilmente essa mudança acontecerá.
Não podemos querer resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas.
É muito fácil criticar a esquerda, reclamar do governo, falar da saúde, da segurança pública, da educação, do desemprego, do custo de vida e depois não participar da vida política.
A mudança precisa começar também pelo cidadão.
Precisamos participar.
Precisamos fiscalizar.
Precisamos cobrar.
Precisamos conhecer nossos candidatos e acompanhar aqueles que elegemos.
E precisamos fazer isso não apenas durante uma eleição, mas durante os quatro anos de mandato.
Quem ocupa um cargo público precisa entender que o poder não lhe pertence.
O poder pertence ao povo.
Presidentes passam.
Governadores passam.
Prefeitos passam.
Deputados e senadores passam.
O Brasil permanece.
Por isso, acredito que está chegando a hora de o brasileiro compreender que votar é apenas uma parte de sua responsabilidade.
O cidadão também precisa participar da construção do país que deseja deixar para seus filhos, sua família e as futuras gerações.
Podemos discordar sobre candidatos e partidos. Podemos enxergar o futuro do Brasil de maneiras diferentes. Isso faz parte da democracia.
Mas não podemos aceitar o comodismo.
Se queremos mudanças na segurança, na saúde, na educação, na geração de empregos, na economia e na qualidade de vida, precisamos também fazer nossa parte como cidadãos.
O Brasil não pertence aos políticos.
O Brasil pertence ao povo.
E a mudança que cada um deseja para o país precisa começar também pela sua própria participação. Sem ódio, violência e Sem desrespeito.
Mas com coragem para assumir nossas convicções, defender nossas ideias e exercer plenamente nossa cidadania.
Porque, independentemente de quem esteja no poder, uma democracia verdadeiramente forte começa quando seu povo deixa de ser apenas espectador e passa a participar de seu próprio futuro.
Deus, Pátria e Família.
Minha bandeira é a do Brasil.
