Jânio Natal sai fortalecido das urnas após eleição de Jânio Júnior
Cara a Cara / Roberto Nogueira
A vitória de Jânio Natal Júnior para deputado estadual, com 77.706 votos, demonstra mais uma vez, na minha opinião, a força política e a capacidade de articulação do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal.
Por mais que seja seu filho e carregue um sobrenome conhecido na política regional, eleger alguém para deputado estadual, principalmente em sua primeira disputa para o cargo, não é uma tarefa fácil. É necessário ter grupo, estrutura, articulação, alianças e, principalmente, votos.
Jânio Natal, além de possuir uma trajetória política admirada por muitos, também é conhecido entre amigos e pessoas próximas da política como alguém que gosta de fazer contas, avaliar cenários e analisar eleições como poucos. E, olhando para o resultado das urnas, na minha opinião, ele sai fortalecido politicamente.
É verdade que, para mim, também acendeu um sinal amarelo para suas pretensões políticas nas próximas eleições — assunto que pretendo abordar em nossa próxima coluna. Mas uma coisa não elimina a outra: politicamente, Jânio saiu fortalecido.
Primeiro porque conseguiu eleger o próprio filho para a Assembleia Legislativa da Bahia. A partir de 2027, Porto Seguro e a Costa do Descobrimento terão em Jânio Júnior mais um representante para cobrar investimentos, apresentar projetos e buscar melhorias para a região.
Mesmo sendo oposição ao atual governo estadual, um deputado precisa saber dialogar e, ao mesmo tempo, cobrar do Governo da Bahia aquilo que pertence, por direito, à população que representa.
Além disso, Jânio construiu diferentes alianças para deputado federal durante a campanha. Entre os nomes ligados às articulações de seu grupo estão deputados eleitos como Neto Carletto, do Avante, João “Jonga” Bacelar, do PL, e Dra. Raissa Soares, também do PL.
A eleição de Dra. Raissa ganha um peso especial para Porto Seguro. Além de residir na cidade, ela já comandou a Secretaria Municipal de Saúde e construiu parte importante de sua trajetória política no município. Foi, inclusive, a candidata a deputada federal mais votada em Porto Seguro nestas eleições.
Sua posição política também poderá ganhar ainda mais relevância nacional dependendo do resultado do segundo turno presidencial. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na pesquisa PoderData/Aya divulgada em 8 de outubro, Flávio aparece com 53% dos votos válidos e Lula com 47%.
Outro ponto importante é a proximidade de Jânio Natal com a direção nacional do PL. Logo após as eleições, Jânio esteve em Brasília reunido com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, João Roma e outras lideranças da legenda. Isso demonstra que sua articulação política não está limitada apenas a Porto Seguro ou ao Extremo Sul da Bahia.
Por tudo isso, acredito que Jânio Natal saiu dessas eleições politicamente mais forte do que entrou.
Mas força política também aumenta a responsabilidade.
Jânio ainda terá aproximadamente dois anos pela frente na Prefeitura de Porto Seguro, e seus adversários estarão atentos a cada movimento de sua administração e a possíveis falhas ou desgastes. Esse é o momento de fazer uma avaliação política e, principalmente, administrativa, identificando aquilo que funcionou e aquilo que precisa mudar.
Na minha opinião, hoje o maior calcanhar de Aquiles de Jânio Natal não está necessariamente nele, tampouco na maneira como trata as pessoas ou enfrenta os problemas da cidade. Pelo contrário: muitos admiram justamente sua maneira direta de ser, sua proximidade com as pessoas e sua capacidade de articulação.
Na minha avaliação, o problema está em parte de sua equipe.
Existem secretários que, até hoje, ainda não conseguiram mostrar claramente para que vieram. E quando um secretário não funciona, não é apenas a imagem dele que fica prejudicada. No final, quem paga politicamente é o prefeito.
Também é preciso evitar que determinados ocupantes de cargos públicos se sintam maiores do que a própria função que exercem ou deixem em segundo plano as obrigações que possuem com a população.
E essas reclamações não estão restritas apenas a Trancoso. Na minha percepção, moradores de diferentes localidades de Porto Seguro também têm manifestado insatisfação principalmente em relação à limpeza urbana e aos problemas do trânsito.
Em Trancoso essas reclamações também são percebidas, especialmente em relação aos serviços de limpeza e às questões envolvendo a organização e o monitoramento do trânsito pela PORTRAN. Mas é importante deixar claro que o problema, segundo as manifestações que chegam da população, não estaria limitado apenas ao distrito. Outros bairros, distritos e localidades de Porto Seguro também apresentam reclamações semelhantes.
São questões do cotidiano que podem parecer pequenas diante de grandes obras ou projetos, mas que atingem diretamente a vida da população. A rua limpa, o lixo recolhido no horário correto, o trânsito organizado e uma fiscalização eficiente fazem parte daquilo que o cidadão vê e sente todos os dias.
E muitas vezes é justamente nessas questões do dia a dia que uma administração começa a ganhar ou perder apoio político.
Jânio precisa olhar para sua equipe e avaliar quem efetivamente está ajudando sua administração, quem está entregando resultados e quem está se transformando em peso político para os dois últimos anos de governo.
Na minha opinião, é necessário reduzir a política dentro da administração e aumentar o espaço para critérios técnicos, colocando em determinadas funções pessoas que tenham capacidade de gestão e apresentem resultados satisfatórios para a população.
Afinal, quem ajudou a eleger um governo espera, acima de tudo, que ele funcione.
Muito se fala nos bastidores sobre possíveis mudanças em algumas secretarias até o final do ano. Se isso realmente acontecer, poderá ser uma oportunidade para corrigir rumos e dar um novo fôlego à administração nesta reta final do mandato.
Muito se fala também sobre qual será o futuro político de Jânio depois de 2028. Pela legislação eleitoral, após dois mandatos consecutivos como prefeito de Porto Seguro, ele não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo para prefeito.
Isso, porém, não significa necessariamente o fim de sua vida política. Jânio poderá continuar exercendo influência partidária, participando de articulações estaduais e nacionais ou eventualmente ocupando alguma função em outra esfera de governo.
E aqui faço uma comparação política, guardadas todas as proporções: na minha visão, Jânio Natal se transformou numa espécie de “Bolsonaro de Porto Seguro”.
Explico.
Muitas pessoas votaram em Jânio Júnior não apenas pelo candidato, mas também pela confiança, identificação e consideração política que possuem pelo pai. Da mesma maneira, não se pode analisar a trajetória eleitoral de Flávio Bolsonaro sem considerar a influência política construída por Jair Bolsonaro.
Isso não diminui os filhos nem retira deles a responsabilidade de construir suas próprias trajetórias. Apenas demonstra a capacidade que determinadas lideranças possuem de transferir parte de sua força política para pessoas próximas.
Agora começa outra etapa.
Jânio Júnior terá que construir sua própria história como deputado estadual, mostrar independência, capacidade política e entregar resultados para Porto Seguro e para a região.
Jânio Natal, por sua vez, terá que transformar a força conquistada nas urnas em resultados administrativos nos próximos dois anos. E, caso o projeto de seu grupo seja lançar o atual vice-prefeito como seu sucessor em 2028, terá pela frente a missão política de tentar transferir também para essa candidatura parte da confiança conquistada ao longo de sua trajetória.
E essa talvez seja uma das maiores provas de sua força política.
Porque eleição passa. O voto é contado. A comemoração termina.
Depois disso, o que fica são os resultados.
Os adversários de Jânio estarão atentos e, como acontece naturalmente na política, irão aproveitar cada erro, cada desgaste e cada problema administrativo para tentar enfraquecer seu grupo e voltar ao poder.
É aí que mora o perigo.
Na política, muitas vezes, o adversário não precisa criar o problema. Basta esperar que o próprio governo escorregue na casca de banana.
Cabe a Jânio compreender esse cenário, corrigir aquilo que precisa ser corrigido e não permitir que os erros de hoje comprometam o projeto político de amanhã.
Jânio saiu fortalecido das urnas. Isso, para mim, está claro.
Mas a partir de agora, mais importante do que conquistar força política será saber administrá-la.
Porque talvez o maior adversário de Jânio nos próximos dois anos não esteja na oposição, mas nos erros que sua própria administração permitir acontecer.
Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos para saber qual será o final dessa história.
