Cara a Cara com Roberto Nogueira
Pesquisas eleitorais, levantamentos internos e tendências de crescimento mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente na maioria dos institutos, enquanto Lula apresenta recuperação na reta final. A eleição promete ser uma das mais disputadas da história recente do Brasil.
Por Roberto Nogueira | 24 de outubro de 2026
Faltando apenas um dia para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro, uma pergunta domina as discussões políticas em todo o Brasil: afinal, quem tem mais chances de vencer a eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL)?
Para responder a essa pergunta, é necessário analisar não apenas os números divulgados pelos institutos de pesquisa, mas também a evolução das intenções de voto, os chamados trackings eleitorais, a rejeição dos candidatos e as informações que circulam nos bastidores das campanhas.
Os levantamentos mais recentes apresentam um cenário extremamente competitivo, com pequena vantagem numérica de Flávio Bolsonaro na maioria das pesquisas públicas.
Entretanto, essa vantagem não é suficiente para garantir sua vitória, principalmente porque Lula apresentou sinais de recuperação ao longo do segundo turno.
FLÁVIO BOLSONARO LIDERA A MAIORIA DAS PESQUISAS
Os levantamentos divulgados na reta final mostram que Flávio Bolsonaro conseguiu manter uma vantagem numérica sobre Lula em diferentes institutos.
Na pesquisa Real Time Big Data, Flávio aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
O PoderData/Aya apresenta 51% para o candidato do PL e 49% para o presidente.
Na Quaest, a diferença é ainda menor: aproximadamente 50,6% para Flávio Bolsonaro e 49,4% para Lula.
Já o Datafolha registrou empate numérico, com 50% dos votos válidos para cada candidato, na pesquisa divulgada em 22 de outubro.
O levantamento Ipespe/Abrapel, divulgado no dia 23, também apresentou um cenário equilibrado, com Flávio registrando 50,5% e Lula, 49,5%.
Na pesquisa CNT/MDA, divulgada neste sábado, 24 de outubro, Flávio aparece com 50,7% dos votos válidos, enquanto Lula registra 49,3%.
Esses números demonstram que, embora Flávio Bolsonaro esteja numericamente à frente na maioria dos levantamentos, as diferenças são pequenas e estão dentro das margens de erro de várias pesquisas.
Portanto, o cenário é de uma disputa aberta.
A TENDÊNCIA DAS PESQUISAS: QUEM CRESCEU E QUEM PERDEU FORÇA?
Um dos aspectos mais importantes da análise eleitoral não é apenas identificar quem aparece na liderança, mas observar a evolução dos candidatos durante a campanha.
No levantamento Ipespe/Abrapel, realizado entre 6 e 8 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 52,7% dos votos válidos, contra 47,3% de Lula.
Na rodada seguinte, divulgada em 17 de outubro, a vantagem diminuiu: Flávio passou para 51,2%, enquanto Lula alcançou 48,8%.
Já na pesquisa divulgada em 23 de outubro, Flávio registrou 50,5% e Lula chegou a 49,5%.
Esses resultados indicam uma redução progressiva da vantagem do candidato do PL nessa série de pesquisas.
Isso significa que Lula conseguiu diminuir a distância que o separava de Flávio Bolsonaro, embora essa movimentação não seja suficiente, isoladamente, para confirmar uma virada eleitoral.
Flávio Bolsonaro chega à reta final na liderança numérica de vários institutos, mas Lula conseguiu tornar a disputa ainda mais equilibrada.
O QUE REVELAM AS PESQUISAS INTERNAS DAS CAMPANHAS?
Outro aspecto que merece atenção são os chamados trackings eleitorais, levantamentos realizados com frequência pelas próprias campanhas para acompanhar mudanças no comportamento dos eleitores.
Essas pesquisas são utilizadas para orientar estratégias, avaliar a repercussão de debates e identificar segmentos do eleitorado nos quais os candidatos estão ganhando ou perdendo apoio.
Nos últimos dias, reportagens sobre os bastidores das campanhas apresentaram informações diferentes.
Integrantes e fontes ligadas à campanha de Lula relataram pesquisas internas que apontariam uma possível recuperação do presidente, chegando, em determinados levantamentos, a colocá-lo numericamente à frente de Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, informações divulgadas sobre levantamentos internos da campanha de Flávio Bolsonaro indicaram a manutenção de uma vantagem do senador.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre pesquisas registradas e divulgadas publicamente e números internos apresentados por integrantes de campanhas.
Sem acesso à metodologia completa, à amostra e aos resultados detalhados, não é possível confirmar a confiabilidade dessas informações internas.
Também não há dados qualitativos internos suficientemente transparentes para afirmar, com segurança, qual candidato apresenta maior capacidade de conquistar os eleitores ainda indecisos.
Portanto, os bastidores devem ser considerados como informações políticas relevantes, mas não como comprovação de uma vitória antecipada.
O PESO DA REJEIÇÃO E DOS ELEITORES INDECISOS
Em uma disputa tão equilibrada, a rejeição dos candidatos pode desempenhar um papel decisivo.
Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro enfrentam resistência de parcelas expressivas do eleitorado.
Enquanto Flávio procura conquistar eleitores que desejam mudanças no comando do país, Lula tenta convencer a população de que a continuidade de seu governo representa maior segurança e estabilidade.
Na minha avaliação, uma das características mais marcantes dessa eleição foi justamente a utilização do medo como instrumento político.
De um lado, discursos sobre os riscos da continuidade do atual governo. Do outro, advertências sobre as possíveis consequências de uma vitória da oposição.
Com isso, parte da campanha acabou se transformando em uma disputa para convencer o eleitor de que o adversário representa uma ameaça, em vez de concentrar o debate nas propostas para melhorar a vida da população.
QUEM TEM MAIS CHANCES DE GANHAR?
Considerando exclusivamente os levantamentos públicos disponíveis nesta análise, Flávio Bolsonaro chega à véspera da eleição com uma pequena vantagem numérica.
Entretanto, quando analisamos a evolução das pesquisas, percebemos que Lula conseguiu reduzir essa diferença em importantes levantamentos.
Isso significa que os dois candidatos possuem possibilidades reais de vitória.
O comportamento dos eleitores que ainda podem mudar de opinião, a participação nas urnas e as diferenças regionais serão fatores importantes para o resultado.
Também é necessário considerar que pesquisas eleitorais representam fotografias do momento em que foram realizadas, e não garantias do resultado das urnas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na minha avaliação, o cenário eleitoral de 2026 revela um país profundamente dividido entre dois projetos políticos.
De um lado, a tentativa de continuidade de um grupo que já exerceu o poder durante grande parte das últimas duas décadas.
Do outro, a proposta de mudança representada por Flávio Bolsonaro, que procura reunir eleitores insatisfeitos com os rumos do atual governo.
Entretanto, o que deveria estar acima dessa disputa é o interesse do povo brasileiro.
O país precisa de soluções para seus problemas históricos, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança pública, emprego e desenvolvimento econômico.
Não podemos continuar permitindo que os interesses dos partidos, dos grupos políticos e de seus seguidores sejam colocados acima das necessidades da população.
As pesquisas mostram quem pode vencer a eleição, mas somente o futuro demonstrará quem realmente será capaz de melhorar a vida dos brasileiros.
Amanhã, o povo brasileiro decidirá nas urnas quem comandará o país pelos próximos quatro anos.
E, independentemente do resultado, o próximo presidente terá a responsabilidade de governar não apenas para seus eleitores, mas para todos os brasileiros.
Porque vencer uma eleição é conquistar o poder. Mas governar com responsabilidade, honestidade e competência é conquistar o respeito de uma nação.
— Roberto Nogueira
