Cara a Cara com Roberto Nogueira
O Brasil chega aos últimos momentos de uma eleição presidencial que será decidida neste domingo, 25 de outubro.
De um lado está Flávio Bolsonaro (PL). Do outro, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, equivalentes a 56.103.033 votos. Lula recebeu 45,16%, ou 53.870.724 votos. A diferença ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Na minha avaliação, esse resultado mostrou uma força eleitoral de Flávio Bolsonaro que surpreendeu muita gente.
Além de chegar ao segundo turno, ele terminou a primeira etapa da eleição em primeiro lugar e mostrou que o nome Bolsonaro continua tendo uma força política muito grande no Brasil.
Mas segundo turno é uma nova eleição.
Flávio precisa manter os votos conquistados e ampliar sua votação entre aqueles que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
Já Lula enfrenta a missão de recuperar a diferença e conquistar votos suficientes para ultrapassar seu adversário.
O que dizem as últimas pesquisas
As pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram uma disputa bastante apertada.
O RealTime Big Data apresentou Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula.
O PoderData mostrou 51% a 49%.
A Quaest registrou 50,56% para Flávio e 49,44% para Lula.
Já o Datafolha apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos.
O Ipespe/Abrapel, divulgado nesta sexta-feira, apresentou Flávio com 50,5% e Lula com 49,5%, também caracterizando empate técnico dentro da margem de erro.
Os números mostram que Flávio aparece numericamente à frente em vários levantamentos, mas também deixam claro que a eleição continua apertada.
Por isso, ninguém pode considerar o resultado definido antes das urnas.
Mercados estão mais confiantes em Flávio
Quando analisamos os chamados mercados preditivos, entretanto, encontramos uma diferença muito maior.
Nesta sexta-feira, 23 de outubro, o Polymarket indicava cerca de 76% de probabilidade implícita de vitória para Flávio Bolsonaro e aproximadamente 24% para Lula. O mercado relacionado à eleição brasileira já movimentava cerca de US$ 193 milhões.
É importante lembrar que mercado preditivo não é pesquisa eleitoral.
Ele representa as expectativas das pessoas que compram e vendem contratos financeiros relacionados ao resultado da eleição. Portanto, não deve ser confundido com intenção de voto.
Mesmo assim, chama atenção a diferença entre aquilo que mostram as pesquisas tradicionais e aquilo que o mercado está precificando.
A consultoria internacional Eurasia Group também atribuiu 75% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro, considerando uma virada de Lula improvável dentro do cenário analisado pela empresa.
Lula ainda pode virar?
Esse talvez seja o principal questionamento da reta final.
Matematicamente e eleitoralmente, sim. As pesquisas mostram diferenças pequenas, muitas delas dentro da margem de erro.
Mas Lula precisa conquistar votos que não recebeu no primeiro turno e, ao mesmo tempo, impedir que Flávio amplie sua vantagem.
Na minha análise, essa não é uma missão fácil.
O presidente precisa enfrentar o fato concreto de que terminou o primeiro turno atrás e que seu adversário chega aos últimos dias da campanha mantendo vantagem numérica em vários levantamentos.
Além disso, Flávio conta com uma direita bastante mobilizada e fortalecida depois das eleições parlamentares de 2026.
Por outro lado, Lula continua demonstrando força principalmente no Nordeste, entre eleitores de menor renda, entre mulheres e entre parte do eleitorado católico. Flávio apresenta melhor desempenho entre homens, evangélicos, eleitores de renda mais alta e na Região Sul, segundo levantamento do Ipespe/Abrapel.
O desafio de Flávio
Flávio Bolsonaro também enfrenta um risco importante.
Quem chega na frente não pode acreditar que a eleição já está vencida.
Um excesso de confiança pode provocar desmobilização, aumentar a abstenção entre apoiadores e permitir uma recuperação do adversário.
Por isso, a estratégia da campanha nos últimos dias tem sido manter a direita mobilizada.
A presença de Alfredo Gaspar em Porto Seguro, o comício realizado no Baianão e outras mobilizações promovidas na Bahia mostram exatamente essa preocupação em buscar cada voto até o último momento.
A decisão será do eleitor
Temos, portanto, dois retratos diferentes.
Nas pesquisas tradicionais, uma eleição muito apertada, com diferenças pequenas e vários resultados dentro da margem de erro.
Nos mercados preditivos e em análises de risco político, uma vantagem bem maior atribuída a Flávio Bolsonaro.
Na minha avaliação, o resultado do primeiro turno e o cenário construído até aqui colocam Flávio numa posição favorável.
Mas posição favorável não significa eleição ganha.
Lula precisa virar.
Flávio precisa manter e ampliar.
E ambos dependem daquilo que acontecerá neste domingo.
Não serão pesquisas, analistas, mercados, manifestações ou redes sociais que escolherão o próximo presidente.
Será o voto do povo brasileiro dentro das urnas.
No domingo à noite saberemos se Flávio Bolsonaro conseguiu transformar a vantagem construída desde o primeiro turno em vitória ou se Lula conseguiu realizar uma virada nos últimos momentos da eleição.
Até lá, cada voto continuará fazendo diferença.
