Uma disputa marcada por ataques, acusações e interesses políticos, enquanto o povo brasileiro continua esperando respostas para os problemas que realmente afetam sua vida.
Por Roberto Nogueira | 24 de outubro de 2026
A eleição presidencial de 2026 ficará marcada, na minha avaliação, muito mais pelos ataques, acusações e pela propagação do medo e da insegurança do que pela apresentação de propostas concretas para melhorar a vida do povo brasileiro.
Ao longo da campanha, assistimos a uma verdadeira guerra política e ideológica entre esquerda e direita, na qual, muitas vezes, a preocupação parece não ser discutir o que está certo ou errado, o que é bom ou ruim para o Brasil, mas simplesmente conquistar ou permanecer no poder.
O que deveria ser uma disputa de ideias, projetos e propostas para o futuro do país acabou se transformando em um confronto no qual o medo passou a ser utilizado como instrumento político.
De um lado, acusações e advertências sobre os riscos da vitória do adversário. Do outro, discursos semelhantes, tentando convencer a população de que uma eventual derrota representaria uma ameaça ao futuro do Brasil.
Mas fica uma pergunta: até quando o povo brasileiro continuará sendo conduzido pelo medo, em vez de ser convencido pela verdade, pela competência e pelos resultados?
O JOGO DO PODER E OS INTERESSES POLÍTICOS
Na minha opinião, por trás de muitos discursos políticos existe algo que vai muito além da preocupação com o bem-estar da população: o jogo do poder, a preservação de privilégios e a necessidade de alimentar os interesses de grupos políticos, aliados e seguidores.
Muitas vezes, parece que o mais importante não é aquilo que será melhor para o Brasil, mas aquilo que garantirá a permanência de determinados grupos no poder.
Nesse cenário, a população acaba sendo dividida entre esquerda e direita, como se a solução dos problemas do país dependesse exclusivamente de uma dessas bandeiras.
Entretanto, o brasileiro que precisa de atendimento médico não deveria ser tratado como alguém de esquerda ou de direita. O trabalhador que procura emprego, o pai de família preocupado com a segurança dos filhos e o cidadão que luta diariamente para colocar comida na mesa precisam de soluções, e não de disputas ideológicas intermináveis.
O Brasil precisa de governantes comprometidos com o povo, e não apenas com seus partidos, aliados e projetos pessoais de poder.
MAIS DE 20 ANOS DE PROMESSAS: ATÉ QUANDO?
Outro ponto que merece uma reflexão profunda é a continuidade de grupos políticos que, há mais de duas décadas, exercem influência sobre os rumos do país e continuam prometendo resolver problemas históricos que ainda fazem parte da realidade brasileira.
Não podemos continuar aceitando, sem questionamentos, que aqueles que tiveram tantas oportunidades de governar continuem apresentando as mesmas promessas, como se os problemas que hoje dizem querer resolver não tivessem relação alguma com suas próprias administrações.
É evidente que o Brasil possui dificuldades históricas que não surgiram em um único governo. Entretanto, também é verdade que quem já esteve no poder precisa assumir suas responsabilidades e prestar contas dos resultados de suas decisões.
Afinal, se tiveram tantos anos e oportunidades para realizar determinadas mudanças, por que o povo brasileiro ainda continua esperando por elas?
Não basta prometer um futuro melhor. É necessário explicar por que tantas promessas do passado não se transformaram em realidade e apresentar propostas capazes de produzir resultados.
UM POVO DIVIDIDO ENTRE A VERDADE E A MENTIRA
Talvez uma das maiores consequências dessa disputa política seja a dificuldade que muitos brasileiros enfrentam para distinguir a verdade da mentira.
São tantas acusações, versões contraditórias, promessas e discursos que parte da população já não sabe em quem acreditar.
Quem está falando a verdade? Quem está mentindo? Quem realmente deseja melhorar a vida do povo brasileiro? E quem está preocupado apenas em conquistar o poder e preservar seus próprios interesses?
Essas são perguntas que deveriam fazer parte da reflexão de todos nós.
A política não pode continuar sendo uma disputa em que o adversário precisa ser destruído a qualquer custo, enquanto os verdadeiros problemas do país são deixados em segundo plano.
O Brasil precisa de mais responsabilidade, honestidade, competência administrativa e compromisso com resultados.
A ELEIÇÃO DEVE SER SOBRE ESPERANÇA, NÃO SOBRE MEDO
Estamos diante de uma decisão que vai muito além da escolha de um presidente da República.
Trata-se de refletir sobre o Brasil que temos, o país que desejamos construir e, principalmente, sobre aquilo que precisamos mudar.
Não podemos permitir que o medo determine nossas escolhas, nem aceitar que a esperança seja transformada em mais uma promessa eleitoral sem compromisso com a realidade.
O povo brasileiro merece viver em um país com mais segurança, saúde, educação, oportunidades de trabalho, justiça e respeito.
Na minha avaliação, precisamos romper com a ideia de que devemos aceitar a continuidade daquilo que consideramos errado simplesmente porque alguém tenta nos convencer de que qualquer mudança poderá ser ainda pior.
O medo não pode ser maior do que a nossa esperança, e a disputa pelo poder não pode ser mais importante do que o futuro de uma nação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A eleição presidencial de 2026 nos coloca diante de uma reflexão que considero fundamental: queremos continuar alimentando uma disputa interminável entre esquerda e direita ou queremos começar a discutir, com seriedade, o que realmente é melhor para o Brasil?
Não se trata apenas de escolher entre dois candidatos, mas de avaliar projetos, resultados, responsabilidades e perspectivas para o futuro.
O Brasil não pode continuar sendo refém de discursos que dividem a população, alimentam o medo e transformam adversários políticos em inimigos.
Chegou a hora de refletirmos se queremos a continuidade de problemas que há décadas comprometem o desenvolvimento do país ou a esperança de construir dias melhores.
Porque, no final, a maior disputa não deveria ser entre esquerda e direita, mas entre aquilo que está errado e aquilo que precisa ser feito corretamente.
O Brasil precisa vencer o medo, superar suas divisões e colocar os interesses do povo acima dos interesses daqueles que disputam o poder.
O poder deveria ser um instrumento para servir à população, jamais um privilégio para servir aos interesses de quem o conquista.
Coluna Cara a Cara com Roberto Nogueira
Jornal Trancoso News
