Cara a cara / Roberto Nogueira
Com a aproximação das eleições, algo que sempre chama a atenção da população é o surgimento repentino de obras, asfaltamentos, reformas, inaugurações e liberações de verbas públicas em diversas cidades do Brasil.
De repente, ruas começam a ser recuperadas, praças ganham melhorias, máquinas aparecem trabalhando e anúncios de investimentos passam a ocupar os noticiários e as redes sociais dos políticos. Tudo parece acontecer exatamente no momento em que a população começa a voltar sua atenção para a política e para as eleições.
Sem dúvida, realizar obras e melhorias para a cidade não é crime. Muito pelo contrário: essa é justamente uma das obrigações do poder público. O que muitos eleitores questionam é o motivo de tantas ações acontecerem apenas nas vésperas das eleições, como se a população só merecesse atenção, respeito e investimentos em períodos eleitorais.
Para muitos cidadãos, isso acaba passando a sensação de um verdadeiro “pacote de bondade”, criado estrategicamente para melhorar a imagem de determinados governos e influenciar emocionalmente os eleitores.
Há quem diga que isso é algo normal dentro da política e permitido pelas leis eleitorais. Porém, aos olhos de grande parte da população, fica difícil não enxergar esse comportamento como uma forma de promoção política disfarçada de gestão pública.
Muitos políticos acreditam que o eleitor tem memória curta. Nos bastidores da política, existe até quem defenda que obras feitas muito antes da eleição acabam sendo esquecidas pela população e, por isso, preferem concentrar inaugurações, anúncios e melhorias próximo ao período eleitoral.
Mesmo existindo restrições previstas na legislação eleitoral sobre inaugurações e publicidade institucional em determinados períodos antes da eleição, ainda é comum vermos secretários, aliados políticos e representantes de governos participando dessas entregas públicas, muitas vezes transformadas em verdadeiros eventos políticos.
Outro ponto que também chama atenção durante o período eleitoral é a mobilização de grupos ligados a diversos setores da sociedade, principalmente lideranças religiosas, comunitárias e representantes de movimentos sociais e como esse politico se aprofeitasse da fagilidade de algunhas pessoas para usa-la como massa de manobra e pior de tudo que muitas vezes isso e fez segundo informações com dinheiro publico com a contratação dessa pessoas para fazer parte do quadro de funcionário temporários. O que e um crime eleitoral e casso seja verdade deveria ser investigado pelos órgão compentente.
Nessa época, muitos políticos passam a se aproximar dessas lideranças, realizando reuniões, encontros e oferecendo espaço dentro da estrutura pública, muitas vezes com nomeações para cargos de assessoria e funções que, em alguns casos, sequer eram conhecidas ou necessárias anteriormente.
Para muitos eleitores, isso acaba criando a sensação de que determinadas lideranças passam a ser utilizadas como instrumentos de influência política e eleitoral, funcionando como uma espécie de massa de manobra para fortalecer projetos de poder.
Há também quem critique o fato de algumas dessas nomeações acontecerem mais por interesse político e eleitoral do que por critérios técnicos ou necessidade administrativa.
Sem dúvida, lideranças religiosas, comunitárias e sociais possuem papel importante dentro da sociedade e merecem respeito. O problema começa quando a fé, a influência popular ou a representatividade social passam a ser utilizadas como moeda de troca política.
A população precisa estar atenta para que a política não transforme pessoas simples, igrejas, comunidades e movimentos sociais em ferramentas eleitorais utilizadas apenas em períodos de campanha.
O eleitor consciente precisa entender que cargos públicos devem existir para atender às necessidades reais da população e não apenas para ampliar alianças políticas ou fortalecer grupos de apoio eleitoral.
É justamente nesse ponto que surgem os questionamentos da população. Se o dinheiro utilizado nessas obras pertence ao povo, por que tantas vezes ele acaba sendo usado como ferramenta de promoção política?
Talvez o maior problema não esteja apenas na legalidade, mas principalmente na questão moral. Afinal, o cidadão paga impostos durante anos e espera atenção do poder público durante todo o mandato, e não apenas quando se aproxima uma eleição.
A verdade é que a população está cada vez mais consciente e atenta. Muitos eleitores já não aceitam mais ser tratados apenas como números ou votos temporários. O povo quer respeito, compromisso, planejamento e continuidade nas ações públicas.
Também seria importante que órgãos de fiscalização, tribunais de contas e a própria Justiça Eleitoral acompanhassem com ainda mais atenção esse tipo de situação, garantindo transparência, equilíbrio e respeito ao dinheiro público.
Obras públicas são necessárias e importantes. O problema começa quando elas deixam de ser prioridade administrativa e passam a ser utilizadas como ferramenta eleitoral.
A política precisa voltar a ser feita com responsabilidade, planejamento e compromisso verdadeiro com a população. Porque governar bem não deve ser uma estratégia de campanha, mas sim uma obrigação permanente de qualquer gestor público.
