Coluna Cara a Cara com Roberto Nogueira
Com a aproximação das eleições, voltamos a ver ruas cheias, bandeiras, caminhadas e grandes concentrações em torno dos candidatos. A contratação de pessoas para trabalhar em campanhas pode ocorrer dentro da legalidade, mas isso não impede uma reflexão: até que ponto uma multidão representa realmente respeito, admiração e reconhecimento pelo candidato?
Será que um político se sente verdadeiramente prestigiado sabendo que parte das pessoas presentes pode estar ali por uma relação profissional, e não necessariamente por identificação espontânea com seu trabalho?
Na minha opinião, o maior patrimônio de um homem público deveria ser o reconhecimento conquistado pela sua trajetória, pelo trabalho realizado e pelos resultados de sua administração. Quando um governante trabalha bem, cuida da saúde, educação, segurança e infraestrutura, o apoio tende a surgir naturalmente.
O que também preocupa é a cultura do “todo mundo faz”. Quando essa frase passa a justificar qualquer comportamento, corremos o risco de transformar práticas questionáveis em algo aparentemente normal.
A Justiça Eleitoral possui regras e mecanismos de fiscalização. O que a sociedade espera é que essa fiscalização seja cada vez mais efetiva, transparente e capaz de garantir igualdade entre aqueles que disputam uma eleição.
Campanha dura alguns meses. Mandato dura quatro anos.
Depois que as bandeiras forem guardadas e as multidões forem embora, continuarão existindo pessoas esperando atendimento médico, escolas melhores, segurança, emprego e qualidade de vida.
Por isso, mais importante do que mostrar força nas ruas é demonstrar trabalho, credibilidade e resultados.
O verdadeiro prestígio de um político não deveria ser medido pelo tamanho da multidão que consegue reunir durante uma campanha, mas pelo respeito que consegue manter quando a eleição termina.
Roberto Nogueira
Cara a Cara com Roberto Nogueira
