Cara a Cara com Roberto Nogueira
A morte do motorista Tiago de Jesus Souza e do coletor Rogério dos Santos Matos, após o tombamento de um caminhão de coleta de lixo em Porto Seguro, não pode ser tratada apenas como mais uma tragédia.
As causas do acidente ainda estão sendo investigadas, e seria irresponsável antecipar conclusões. Mas, depois do ocorrido, vieram à tona denúncias e reclamações sobre as condições de alguns caminhões utilizados na coleta, além de questionamentos antigos sobre a quantidade de veículos disponíveis e a qualidade do serviço oferecido à população.
Porto Seguro é uma cidade turística, extensa e com grande produção de resíduos. Por isso, precisa de uma frota suficiente, bem conservada e capaz de atender bairros e distritos com regularidade e segurança.
A população reclama de lixo acumulado, demora na coleta e deficiência no serviço em algumas localidades. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: se os problemas já eram conhecidos, quais providências estavam sendo tomadas pelo poder público?
Não basta contratar uma empresa para realizar o serviço. Cabe ao gestor público fiscalizar, cobrar manutenção, verificar a quantidade de caminhões disponíveis e exigir qualidade na prestação do serviço.
Se existem veículos com problemas, eles precisam ser retirados de circulação. Se a frota é insuficiente, precisa ser ampliada. Se o serviço não atende à população como deveria, alguma providência precisa ser tomada.
Depois da morte de dois trabalhadores, uma nota de pesar é importante, mas não é suficiente.
A melhor homenagem a Tiago e Rogério é garantir que os demais trabalhadores tenham segurança para sair de casa, cumprir sua jornada e voltar para suas famílias.
Porto Seguro precisa de respostas.
Qual é a verdadeira situação da frota? Quantos caminhões estão disponíveis? Quantos estão parados para manutenção? Quem fiscaliza esses veículos? E o que será feito para melhorar a qualidade da coleta?
Duas vidas foram perdidas.
Agora, a população merece transparência, providências e respeito.
