Na reta final das eleições, conhecer apenas o nome, o número e o partido de um candidato nem sempre é suficiente para compreender sua posição política. Na Bahia, as alianças construídas durante a campanha mostram que é importante observar também com quais grupos cada candidato caminha e quais projetos políticos apoia.
O deputado federal Neto Carletto (Avante), por exemplo, integra o grupo político que apoia a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O próprio parlamentar já defendeu publicamente a unidade do Avante em torno do projeto político do governador.
Em outro campo político estão nomes como Dra. Raissa Soares (PL) e Arthur Maia (União Brasil). Raissa tem trajetória ligada à direita e já defendeu publicamente a união desse campo político em torno de ACM Neto na Bahia. Arthur Maia pertence ao mesmo partido de ACM Neto e participa das articulações políticas do grupo de oposição ao atual governo estadual.
Mas um dos episódios que mais chamou atenção durante a campanha envolveu o deputado federal Jonga Bacelar (PL).
Mesmo sendo filiado ao PL, partido que integra oficialmente a coligação de ACM Neto para o Governo da Bahia, Jonga participou de um comício do governador Jerônimo Rodrigues, em Ribeira do Pombal, subiu ao palanque do petista, apareceu usando adesivo com o número 13 e declarou apoio à reeleição do governador.
A atitude provocou forte reação dentro do próprio PL.
O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que o deputado teria que se explicar e chegou a admitir a possibilidade de expulsão. Segundo Valdemar, vários parlamentares procuraram a direção nacional demonstrando insatisfação com a postura adotada por Jonga. Também foi levantada a possibilidade de corte de recursos partidários.
Depois da repercussão, Jonga divulgou uma nota reafirmando seu compromisso com o PL e declarou oficialmente apoio a ACM Neto para governador, Flávio Bolsonaro para presidente e João Roma para o Senado. A manifestação ocorreu após a cobrança da direção nacional do partido.
O episódio, porém, colocou Jonga no centro de uma discussão importante sobre fidelidade política e alianças eleitorais. De um lado, houve a manifestação pública de apoio a Jerônimo Rodrigues. Do outro, posteriormente, o deputado reafirmou alinhamento com os candidatos apoiados oficialmente pelo PL.
Esse comportamento gerou insatisfação em setores do partido e entre lideranças identificadas com a direita justamente porque expôs uma divergência entre a posição adotada pelo deputado naquele momento e a orientação política de sua legenda.
O caso também mostra que, em uma eleição, a sigla partidária nem sempre conta toda a história.
Por isso, conhecer a trajetória de cada candidato, suas alianças, seus apoios e os posicionamentos assumidos durante a campanha ajuda o eleitor a compreender melhor o cenário político que encontrará nas urnas.
Informação é uma das principais ferramentas para que cada eleitor forme sua própria decisão de maneira consciente.
Roberto Nogueira
Jornal Trancoso News
