Jornal Trancoso News
O comércio de Porto Seguro e Eunápolis vive um momento de preocupação. Empresários dos dois municípios afirmam que a queda no movimento registrada nos últimos meses já afeta diversos segmentos da economia e tem provocado o fechamento de estabelecimentos comerciais, principalmente nas principais avenidas das duas cidades.
Um dos sinais mais visíveis dessa desaceleração é o aumento do número de imóveis comerciais desocupados. Em Porto Seguro, a Avenida Getúlio Vargas, e em Eunápolis, a Avenida Porto Seguro, que durante muitos anos registravam grande procura por pontos comerciais, hoje apresentam diversas lojas fechadas e imóveis disponíveis para locação. Até poucos anos atrás, era comum empresários aguardarem a desocupação de um imóvel para instalar um novo empreendimento. Hoje, segundo comerciantes, a realidade é completamente diferente.
Na avaliação dos empresários ouvidos pela reportagem, o cenário é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão a desaceleração da economia nacional, a redução do poder de compra da população, o aumento da carga tributária, os custos operacionais das empresas, a dificuldade de acesso ao crédito e a percepção de falta de investimentos em infraestrutura urbana.
Em Porto Seguro, onde a economia depende fortemente do turismo, comerciantes reconhecem que a baixa temporada sempre provoca redução nas vendas. No entanto, afirmam que o movimento registrado neste ano está abaixo do esperado quando comparado ao mesmo período de anos anteriores. Muitos acreditam que a recuperação do setor dependerá não apenas da chegada de turistas, mas também do fortalecimento da economia local e regional.
Outro fator apontado é o crescimento das vendas pela internet. Segundo empresários, a mudança no comportamento do consumidor e a expansão do comércio eletrônico reduziram o fluxo de clientes nas lojas físicas, obrigando muitas empresas a investir em novas estratégias para permanecer competitivas.
O cenário político e econômico também é citado como motivo de preocupação. Segundo os comerciantes, a expectativa em torno das eleições de 2026, que definirão o próximo presidente da República e o próximo governador da Bahia, tem levado consumidores e investidores a adotarem uma postura mais cautelosa, adiando compras, investimentos e novos empreendimentos até que o cenário político esteja mais definido.
Além disso, parte dos empresários acredita que os sucessivos escândalos de corrupção divulgados nos últimos anos contribuíram para aumentar a desconfiança da população em relação ao ambiente político e econômico do país, refletindo diretamente na confiança dos consumidores e no ritmo da economia.
Os comerciantes também cobram maior participação das administrações municipais na recuperação do comércio. Entre as principais reivindicações estão investimentos em limpeza urbana, manutenção das vias públicas, melhoria da iluminação, poda de árvores, pintura de meios-fios e faixas de pedestres, revitalização dos centros comerciais e campanhas permanentes de incentivo às compras no comércio local, em parceria com entidades como a CDL e associações empresariais.
Na avaliação dos empresários, cidades mais organizadas, limpas e seguras tornam-se mais atrativas para moradores, turistas e investidores, fortalecendo a economia e gerando novas oportunidades de negócios.
Outro tema bastante discutido entre os comerciantes de Porto Seguro é a implantação da Zona Azul. Alguns empresários avaliam que a cobrança do estacionamento influenciou o fluxo de consumidores na região central, especialmente entre moradores dos bairros e cidades vizinhas. Eles defendem que os recursos arrecadados sejam aplicados de forma transparente em melhorias para a mobilidade urbana, infraestrutura e fortalecimento do comércio. Segundo os comerciantes entrevistados, esses investimentos ainda não foram percebidos de forma significativa pela população.
Também preocupa parte do setor empresarial a previsão de início da cobrança de uma nova taxa de visitação ao município. Na avaliação de alguns comerciantes, novas cobranças podem reduzir ainda mais o fluxo de visitantes e consumidores, afetando diretamente o comércio e a economia local.
A segurança pública também aparece entre as principais preocupações do setor. Empresários afirmam que a divulgação de índices de violência e notícias sobre criminalidade pode prejudicar a imagem de Porto Seguro e Eunápolis perante turistas, investidores e consumidores. Eles defendem o reforço da presença da Guarda Civil Municipal, dos agentes de trânsito e da Polícia Militar nas principais áreas comerciais, buscando aumentar a sensação de segurança para moradores e visitantes.
Em Eunápolis, comerciantes também demonstram preocupação com o cenário econômico local. Alguns empresários avaliam que a recuperação da confiança depende de uma gestão pública eficiente, investimentos em infraestrutura, incentivo ao empreendedorismo, apoio às pequenas empresas e políticas voltadas para a geração de empregos. Também afirmam que episódios de investigação e denúncias envolvendo a administração pública acabam contribuindo para desgastar a imagem do município perante investidores.
Segundo representantes do setor comercial, a crise não afeta apenas os empresários. A redução das vendas impacta diretamente a geração de empregos, diminui a arrecadação de impostos, reduz a circulação de renda na economia e compromete o desenvolvimento de diversos segmentos produtivos.
Outro desafio citado pelos comerciantes é a dificuldade para contratar mão de obra qualificada, situação que tem afetado diferentes setores da economia e dificultado a expansão de muitos empreendimentos.
Especialistas destacam que o desempenho do comércio costuma ser influenciado por diversos fatores, como inflação, taxa de juros, acesso ao crédito, confiança do consumidor, políticas públicas, infraestrutura, segurança e estabilidade econômica.
Mesmo diante das dificuldades, empresários acreditam que Porto Seguro e Eunápolis possuem grande potencial de crescimento, impulsionado pelo turismo, comércio e setor de serviços. Para eles, esse potencial precisa ser acompanhado por planejamento urbano, investimentos públicos, qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo e valorização do comércio local.
Enquanto aguardam uma recuperação da economia, comerciantes das duas cidades defendem maior diálogo entre o poder público, entidades empresariais e a iniciativa privada. Eles acreditam que a união entre esses setores será fundamental para recuperar a confiança dos consumidores, atrair novos investimentos e devolver a Porto Seguro e Eunápolis o dinamismo econômico que marcou suas principais avenidas comerciais durante muitos anos




