A recente declaração do ministro Edson Fachin, ao sair em defesa de Dias Toffoli no caso Master, afirmando que o Supremo Tribunal Federal “não se curva a ameaças”, levanta um debate que vai muito além de discursos institucionais. O que está em jogo não é apenas a imagem de um ministro ou de uma Corte, mas a credibilidade do Judiciário diante da sociedade brasileira.
É impossível ignorar a sensação crescente de corporativismo dentro do Judiciário, marcada pela proteção mútua, pelo silêncio conveniente e pela ausência de um compromisso mais firme com a sociedade. A situação se torna ainda mais grave quando os chamados guardiões das leis aparecem envolvidos em escândalos de apadrinhamento, relações obscuras com empresários e políticos, além de decisões que afrontam a moral pública.
Mesmo que algumas dessas condutas não sejam consideradas ilegais à luz fria da lei, é impossível negar seu caráter imoral. Diante disso, não podemos aceitar a ideia de que o povo deve permanecer calado. O silêncio, nesse caso, não é neutralidade — é conivência com uma falência institucional que se desenha a olhos vistos.
O Judiciário brasileiro atravessa um momento delicado, marcado por perda de credibilidade, insegurança jurídica e distanciamento da realidade do cidadão comum. Vivemos em um país que caminha na contramão das nações desenvolvidas e democráticas, onde as instituições deveriam ser exemplo de ética, transparência e responsabilidade.
O que vemos, infelizmente, é um Brasil fora da curva. As instituições se deterioram dia após dia, não apenas pelo desrespeito interno, mas também pela forma como tratam o povo brasileiro — um povo que busca nas instituições confiança, justiça e previsibilidade. O que falta para muitos cidadãos, sobra para aqueles que insistem em fazer tudo aquilo que já foi condenado pela opinião pública.
Não é exagero dizer que vivemos em uma espécie de “republiqueta”, onde os desonestos parecem prosperar enquanto quem trabalha com honestidade sofre cada vez mais. Não se trata de uma guerra de sangue, mas de uma guerra moral e ética, na qual valores foram jogados no lixo e as instituições, em vez de protegerem a sociedade, aprofundam a descrença.
Que país é este? Até onde iremos? Qual será o desfecho dessa triste realidade que estamos vivendo?
Sabemos que tudo isso há de passar e que os culpados, mais cedo ou mais tarde, terão o seu acerto de contas — seja com a Justiça, seja com Deus ou com a própria sociedade. Somos brasileiros, confiamos em Deus, pátria e família. Mesmo diante de tudo o que foi exposto aqui, não desistiremos do Brasil. Nossa bandeira nunca será vermelha, e jamais deixaremos de lutar por um país livre, por uma sociedade livre e por qualidade de vida — não apenas para nós, mas para nossas famílias e para as futuras gerações.
Eu farei a minha parte. Espero que você faça a sua. Juntos somos mais fortes, e juntos podemos chegar onde tanto almejamos e sonhamos.
Essas perguntas continuam ecoando nas ruas, nas casas e na consciência de um povo cansado — mas ainda atento.
Cara a Cara
Roberto Nogueira
