Mais uma vez a situação do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães volta a ser assunto na política de Porto Seguro e de toda a região. Vídeos, críticas, acusações, explicações e promessas aparecem de todos os lados. Mas, no meio de toda essa discussão política, existe uma realidade que ninguém pode esconder: quem está sofrendo é a população.
A saúde pública da nossa região já vem há anos pedindo socorro. O hospital foi construído em uma época em que Porto Seguro tinha outra realidade, outra população e outro movimento. A cidade cresceu, o turismo cresceu, a região cresceu, mas a estrutura da saúde praticamente continuou a mesma. O resultado disso é o que estamos vendo hoje: hospital cheio, falta de material, demora em atendimento e uma população cada vez mais insegura quando precisa de saúde pública.
O mais contraditório de tudo isso é que estamos falando de uma das regiões mais ricas e valorizadas da Bahia. Porto Seguro é um dos destinos turísticos mais conhecidos do Brasil e recebe turistas do mundo inteiro todos os anos. A região de Trancoso, por exemplo, possui um dos metros quadrados mais caros do Brasil, com hotéis de luxo, casas milionárias e turismo internacional. É uma região que movimenta milhões todos os anos com o turismo.
Diante dessa realidade, é difícil aceitar que uma região tão rica, tão conhecida e tão importante para a economia do estado e do país ainda sofra com problemas básicos na saúde pública. Não é justo que uma região que arrecada tanto, que recebe tantos turistas e que movimenta tanto dinheiro continue sofrendo com falta de estrutura hospitalar, falta de investimento e descaso político.
O problema da saúde não pode ser tratado como disputa política, porque doença não tem partido, dor não tem ideologia e hospital não pode funcionar baseado em briga política. Enquanto políticos discutem para saber de quem é a culpa, a população continua nas filas dos hospitais esperando atendimento, esperando cirurgia, esperando exames e, muitas vezes, esperando por socorro. E, infelizmente, em alguns casos, pessoas acabam morrendo à espera de atendimento, enquanto a política continua discutindo culpados.
Está faltando união e sobrando política. Está faltando gestão e sobrando discurso. Está faltando responsabilidade e sobrando vaidade.
A população não quer saber quem está certo ou quem está errado. A população quer saber quem vai resolver o problema. Porque quem precisa de hospital não quer discurso, quer atendimento. Não quer vídeo em rede social, quer médico. Não quer discussão política, quer remédio e solução.
Se o hospital atende toda a região, então a responsabilidade também tem que ser de todos. Prefeitos da região, deputados, governo do estado e lideranças políticas precisam sentar na mesma mesa e parar de procurar culpados. Está na hora de procurar soluções.
A saúde não pode ser usada como palanque político. A saúde tem que ser tratada como prioridade, porque quando a saúde não funciona, quem sofre é o povo, principalmente o mais pobre, que depende exclusivamente do SUS.
A pergunta que fica é simples: até quando a população vai continuar pagando a conta da falta de planejamento, da falta de investimento e da falta de união política?
Porto Seguro e toda a região não precisam de mais discursos. Precisam de atitude, responsabilidade, planejamento e respeito com a vida das pessoas.
Porque enquanto a política briga, o povo sofre. E essa é uma conta que a sociedade não deveria mais aceitar pagar.
Roberto Nogueira
Coluna Cara a Cara
Jornal Trancoso News
