Há momentos na vida em que insistimos em lutar batalhas erradas. Brigamos com pessoas, rompemos laços, acusamos o mundo, quando na verdade a maior guerra acontece dentro de nós. É mais fácil apontar o dedo para fora do que encarar o que está desorganizado por dentro.
Vivemos tempos em que a aparência ganhou mais valor do que o caráter. O corpo, a imagem e o prazer imediato passaram a ser tratados como solução para tudo. Mas não são. Nenhum vazio da alma é preenchido por estética, desejo ou impulsos. Quando a base espiritual e emocional está em ruínas, qualquer conquista se torna frágil e passageira.
Outro erro comum é a falta de responsabilidade. Queremos que as coisas aconteçam do nosso jeito, no nosso tempo, sem planejamento, sem diálogo e sem respeito aos limites do outro. Esquecemos que maturidade é entender que decisões têm consequências e que convivência exige organização, acordo e, acima de tudo, empatia.
Muitas pessoas vivem em permanente estado de guerra, acreditando que todos estão contra elas. Na verdade, estão apenas colhendo os reflexos das próprias escolhas. Frustrações, limites e dores fazem parte da vida, mas culpar os outros por tudo é uma forma de fugir da própria responsabilidade.
A verdade, por mais dura que seja, sempre liberta. A mentira pode até trazer vantagens momentâneas, mas cobra um preço alto: a perda da paz. Não existe felicidade construída sobre engano, falsidade ou autoilusão. Mais cedo ou mais tarde, a conta chega.
Talvez o que esteja faltando não seja mais luta, senão mas descanso. Não fuga, senão mas silêncio. Não ataque, e sim mas reflexão. Olhar para dentro, reconhecer erros, aceitar limites e buscar mudança real. Enquanto essa guerra interna não termina, nenhum acordo externo será suficiente.
Cara a cara com a vida, aprendemos que crescer dói, mas insistir no erro dói muito mais. E que a verdadeira força não está em vencer o outro, mas em vencer a si mesmo.
Caca a Cara com Roberto Nogueira
