Cara a cara com Roberto Nogueira
Nas últimas décadas, o mundo mudou em uma velocidade jamais vista. A tecnologia, a internet e as redes sociais transformaram a forma de comunicação, trabalho e relacionamento entre as pessoas. Nesse cenário surgiram duas gerações que hoje ocupam papel central na sociedade: os Millennials (Geração Y) e a Geração Z. Com características próprias e profundamente conectadas ao ambiente digital, esses jovens impõem novos desafios aos pais, educadores e à própria sociedade.
Os Millennials, nascidos aproximadamente entre os anos 1980 e meados da década de 1990, foram a geração que testemunhou a transição do mundo analógico para o digital. Viram o surgimento da internet, dos celulares e das redes sociais. Já a Geração Z, nascida a partir do final dos anos 1990, é considerada nativa digital — ou seja, já chegou ao mundo em meio à tecnologia, com acesso rápido à informação e forte presença no ambiente virtual.
Apesar das diferenças, ambas compartilham características semelhantes: valorizam liberdade de expressão, diversidade, rapidez na comunicação e buscam propósito em suas escolhas profissionais e pessoais. Ao mesmo tempo, enfrentam desafios relacionados à ansiedade, comparação social e excesso de exposição nas redes.
O Papel dos Pais
Para os pais, o maior desafio é encontrar equilíbrio entre liberdade e limite. Diferente de gerações anteriores, o controle rígido tende a gerar afastamento. O diálogo aberto e a escuta ativa tornaram-se ferramentas essenciais. É importante acompanhar a vida digital dos filhos sem invadir sua privacidade, orientando sobre riscos, responsabilidade e respeito no ambiente online.
Estabelecer horários para uso de dispositivos, incentivar atividades físicas e promover momentos em família longe das telas são atitudes simples que fortalecem vínculos e contribuem para a saúde emocional dos jovens. Além disso, o exemplo continua sendo o maior ensinamento: pais que demonstram equilíbrio, responsabilidade e respeito tendem a influenciar positivamente o comportamento dos filhos.
O Papel da Sociedade
A responsabilidade, porém, não é apenas familiar. A escola, o mercado de trabalho e a comunidade também têm papel fundamental na formação dessas gerações. É necessário oferecer ambientes que estimulem pensamento crítico, empatia e convivência social saudável. Programas educacionais que abordem cidadania digital, educação financeira e inteligência emocional tornam-se cada vez mais relevantes.
Empresas e instituições, por sua vez, precisam compreender que esses jovens buscam mais do que remuneração: desejam propósito, reconhecimento e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ignorar essas demandas pode resultar em desmotivação e distanciamento.
Um Novo Tempo, Novas Estratégias
Millennials e Geração Z não representam um problema, mas sim uma transformação natural da sociedade. O desafio está em adaptar métodos de educação, comunicação e convivência a uma realidade mais conectada e dinâmica. O excesso de tecnologia não deve ser combatido com proibição, mas com orientação e consciência.
No fim das contas, o que permanece essencial é o mesmo de sempre: presença, diálogo, exemplo e valores sólidos. Quando família e sociedade caminham juntas, essas gerações têm maior chance de crescer equilibradas, responsáveis e preparadas para contribuir de forma positiva com o futuro.
