Por Roberto Nogueira
Coluna Cara a Cara
Vivemos um tempo de profundas transformações comportamentais. A sociedade mudou — e mudou rápido demais. O grande desafio da atualidade não está apenas na velocidade dessas mudanças, mas na dificuldade que muitas pessoas têm de se adaptar a essa nova realidade sem perder seus valores éticos e morais.
Assistimos hoje a uma inversão preocupante de princípios. O que antes era considerado certo passou a ser questionado, relativizado ou até tratado como errado. Por outro lado, atitudes equivocadas vêm sendo normalizadas, aplaudidas e, em alguns casos, incentivadas. Essa confusão de valores tem deixado marcas profundas em nossa geração, que a cada dia parece mais distante do equilíbrio, do bom senso e da responsabilidade coletiva.
As pessoas estão cada vez mais dependentes da tecnologia, muitas vezes viciadas em aparelhos eletrônicos, deixando de viver uma vida plena e real. Em diversos casos, parecem verdadeiros “zumbis sociais”: presentes fisicamente, mas ausentes emocional e espiritualmente. Há quem esteja morrendo aos poucos por dentro, sem perceber, vivendo uma existência vazia, sem propósito, paz ou compromisso consigo mesmo e com o outro.
Nesse cenário distorcido, aqueles que se destacam por mérito próprio, esforço e trabalho sério muitas vezes são rotulados de arrogantes ou prepotentes. Por não pensarem como a maioria ou por se recusarem a ser manipulados por uma sociedade que ignora valores básicos — como Deus, pátria e família — acabam sendo alvo de críticas, ataques e até ódio gratuito, muitas vezes vindos de quem nada construiu e pouco compreende.
Outro aspecto preocupante é a vitimização constante. Muitos preferem transferir a culpa de seus erros e fracassos para terceiros, sem assumir responsabilidades. Esquecem que ninguém é culpado por nossas escolhas equivocadas, limitações ou incapacidade de evoluir. Falta autocrítica, maturidade e sabedoria para distinguir o bem do mal, o certo do errado.
Vivemos uma grave crise de valores. O nível de discernimento parece cada vez menor, e a inteligência emocional e moral está em declínio. O resultado é uma sociedade confusa e fragilizada, que sangra diariamente diante da perda do respeito, da confiança e da empatia — pilares essenciais para qualquer convivência saudável.
Mesmo em um mundo globalizado, conectado pela tecnologia e pela informação, nunca se viu tanta miséria, tantas guerras e tanto ódio espalhado pelo planeta. A promessa de progresso e união deu lugar ao medo, à intolerância e à divisão. A empatia, que deveria ser base das relações humanas, tornou-se escassa. O cuidado com o próximo foi substituído por interesses individuais e discursos vazios.
As relações estão mais frágeis, superficiais e descartáveis. As pessoas ouvem menos, julgam mais e se colocam cada vez menos no lugar do outro. O diálogo foi substituído pelo confronto, e a compreensão pela imposição. Vivemos em uma sociedade emocionalmente adoecida.
O mais preocupante é não saber exatamente para onde tudo isso está nos levando. O futuro torna-se incerto quando valores essenciais deixam de orientar nossas escolhas. Talvez seja o momento de parar, refletir e promover uma profunda autocrítica coletiva. Resgatar princípios não é retrocesso — é uma questão de sobrevivência moral.
Ainda há tempo de mudar o rumo. Mas isso exige coragem para reconhecer erros, humildade para reaprender e disposição para reconstruir aquilo que nunca deveria ter sido perdido.
