Por Roberto Nogueira
O debate sobre o endividamento público na Bahia precisa ser feito com responsabilidade, serenidade e, acima de tudo, transparência.
Nos últimos anos, o volume de pedidos de empréstimos autorizados para o Governo do Estado chamou a atenção de especialistas e da oposição. Embora operações de crédito sejam instrumentos legais e façam parte da gestão pública, o que preocupa é o ritmo acelerado e o impacto que essas dívidas podem gerar no futuro fiscal da Bahia.
Especialistas em finanças públicas alertam que o crescimento das despesas em ritmo superior às receitas pode comprometer o equilíbrio das contas estaduais. O problema não está apenas no valor principal contratado, mas também nos juros e nas amortizações, que reduzem a capacidade de investimento ao longo do tempo.
Mas essa discussão não deve se limitar ao âmbito estadual.
Em diversos municípios baianos, prefeitos também têm recorrido a empréstimos como alternativa para investimentos e cobertura de despesas. Novamente, não se trata de ilegalidade — trata-se de planejamento e responsabilidade. O risco é que compromissos assumidos hoje ultrapassem mandatos, deixando para as próximas gestões uma margem reduzida de manobra financeira.
É fundamental que as prefeituras atuem com total transparência, detalhando onde os recursos estão sendo aplicados e quais resultados estão sendo entregues à população. Da mesma forma, as câmaras municipais e a Assembleia Legislativa têm papel essencial na fiscalização rigorosa desses contratos.
A população precisa acompanhar de perto. Porque, no final das contas, toda dívida pública é paga pelo contribuinte.
Não se trata de ser contra investimentos ou contra o desenvolvimento. Trata-se de defender equilíbrio, planejamento de longo prazo e responsabilidade com o futuro.
Governar é também pensar nas próximas gerações.
