Por Roberto Nogueira
O Brasil vive uma crescente decadência moral e ética em suas instituições políticas e jurídicas. A descrença da população não é mais um sentimento isolado — tornou-se uma realidade evidente.
Nos últimos anos, pesquisas apontam uma queda significativa na confiança da sociedade em instituições que deveriam ser pilares da democracia, como o Supremo Tribunal Federal. Quando mais da metade da população demonstra desconfiança, o sinal de alerta já foi ultrapassado há muito tempo.
Casos controversos, relações questionadas e decisões que geram dúvidas na sociedade contribuem para aprofundar essa crise. Não é mais possível ignorar o que está diante dos nossos olhos. Tentar esconder ou minimizar esses problemas é negar a realidade que o país enfrenta.
Não se trata apenas de política ou de justiça — trata-se de confiança. E quando a confiança nas instituições se rompe, toda a estrutura de um país começa a se fragilizar.
Hoje, muitas vezes, para julgar um político envolvido em corrupção, depende-se de outros políticos igualmente questionados. Isso revela um sistema fechado, que se retroalimenta e dificulta a verdadeira responsabilização.
O resultado é um ciclo vicioso: quanto mais suspeitas surgem, menor é a credibilidade; e quanto menor a credibilidade, maior é a sensação de impunidade.
A imprensa, que deveria ser um dos principais instrumentos de fiscalização e informação, também enfrenta desafios. Parte dela se vê pressionada por interesses políticos e econômicos. Quando a informação perde sua independência, o cidadão perde o direito à verdade.
Ainda assim, existem profissionais que resistem. Jornalistas como Malu Gaspar e Lauro Jardim mostram que ainda há quem tenha coragem de investigar e expor fatos relevantes. São exceções que reforçam o quanto a independência jornalística é essencial.
Diante desse cenário, a consequência é inevitável: a população se sente abandonada, sem referências e sem confiança em quem deveria representá-la.
O Brasil precisa reagir.
Mais do que uma disputa ideológica entre direita ou esquerda, o país enfrenta um problema de valores. O que está em jogo não é apenas quem governa, mas como se governa.
A ajuda social é necessária e importante, mas não pode ser usada como instrumento de dependência ou manipulação. O verdadeiro papel do Estado é criar oportunidades, promover dignidade e libertar as pessoas — não mantê-las reféns de interesses políticos.
As próximas eleições representam uma oportunidade de mudança. O Brasil precisa de renovação, de novas lideranças e de pessoas comprometidas com ética, responsabilidade e trabalho sério.
Ou enfrentamos essa realidade com coragem, ou continuaremos presos a um sistema que já mostrou seus limites.
A mudança começa agora. E começa com cada um de nós.
