Ruas de areia fofa, nenhum carro e uma fiação elétrica enterrada para preservar o céu estrelado. Caraíva, vila de pescadores com cerca de mil habitantes no litoral sul da Bahia, só recebe quem cruza o rio de canoa. A energia elétrica chegou em 2007 e os moradores impuseram uma condição: nenhum poste nas ruas. O resultado é uma das noites mais limpas do litoral brasileiro.
Por que Caraíva é considerada um dos povoados mais antigos do Brasil
Historiadores apontam que missionários jesuítas ergueram a Igreja de São Sebastião após 1549, usando óleo de baleia, conchas e pedras recolhidas na própria praia. A construção resiste no centro do vilarejo e é um dos marcos mais antigos da costa baiana. Caraíva faz parte da Costa do Descobrimento, região avistada pela frota de Pedro Álvares Cabral em 1500.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou a vila como parte do conjunto arquitetônico e paisagístico de Porto Seguro, cuja proteção foi ampliada em 1974 para incluir Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva. Em 1999, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento como Patrimônio Natural Mundial, abrangendo 112 mil hectares entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.
A vila acumula ainda outras proteções: a Área de Proteção Ambiental (APA) Caraíva-Trancoso, a Reserva Extrativista Marinha de Corumbau (gerida pelo ICMBio) e a zona de entorno do Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, criado em 1961. O Monte Pascoal foi o primeiro ponto de terra avistado pela esquadra de Cabral.
