A vitória da Seleção Brasileira por 6 a 2 sobre o Panamá trouxe de volta um sentimento que há muito tempo parecia adormecido em parte da torcida: o orgulho de vestir a camisa amarela. Mais do que o resultado expressivo, o que chamou a atenção foi a resposta do público. Um Maracanã lotado, com mais de 70 mil torcedores, demonstrou que o povo brasileiro continua apaixonado pelo futebol e acredita que a Seleção ainda pode representar a união de uma nação.
Vivemos um momento histórico. Pela primeira vez, a Seleção Brasileira é comandada por um treinador estrangeiro, uma mudança que divide opiniões, mas que também traz a esperança de novos caminhos. O torcedor brasileiro sonha novamente com a conquista de um título mundial e espera que essa nova fase seja marcada por organização, competitividade e, acima de tudo, resultados.
Mas algumas perguntas continuam no ar.
Por que Neymar, mesmo lesionado e com poucas chances de disputar a Copa em plenas condições físicas, foi convocado inicialmente? Por que não houve uma definição mais rápida após a confirmação de sua lesão? É evidente que Neymar continua sendo um dos nomes mais conhecidos do futebol mundial. Sua imagem movimenta patrocinadores, atrai mídia e desperta o interesse de milhões de torcedores. Sua presença, dentro ou fora de campo, representa uma marca poderosa para a Seleção Brasileira.
No entanto, o futebol não pode viver apenas de marketing.
Muitos torcedores têm a sensação de que, há alguns anos, alguns jogadores são escolhidos não apenas pelo desempenho dentro das quatro linhas, mas também pela força de seus patrocinadores, pela visibilidade na mídia ou pelos interesses que cercam o futebol moderno. Enquanto isso, atletas que fazem grandes temporadas, apresentam excelente futebol e demonstram amor pela camisa muitas vezes ficam de fora das convocações por não fazerem parte desse círculo de influência.
Talvez seja apenas uma percepção da torcida. Talvez não. Mas é um debate que merece existir.
O futebol brasileiro construiu sua história através de craques que conquistaram o mundo pelo talento e pela paixão. Nomes como Zico, Júnior, Sócrates, Ronaldinho Gaúcho, Pelé, Garrincha e tantos outros marcaram gerações porque representavam mais do que contratos publicitários. Eles carregavam o orgulho de defender a Seleção Brasileira.
Os tempos mudaram, o futebol se tornou um grande negócio e ninguém pode ignorar essa realidade. Porém, o torcedor continua desejando ver em campo aqueles que vivem o melhor momento técnico, independentemente do clube em que jogam, do empresário que possuem ou da marca que patrocinam.
Que venha a Copa do Mundo.
E que com ela venha também a esperança de ver uma Seleção formada pelos melhores jogadores do país, escolhidos pelo futebol que apresentam dentro de campo. Que o mérito prevaleça sobre os interesses comerciais. E que a camisa amarela volte a ser símbolo de paixão, orgulho e compromisso com o Brasil.
