Coluna Cara a Cara / Roberto Nogueira
A situação do Hospital Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, tem gerado indignação, revolta e preocupação entre moradores da cidade e de toda a região. Há meses, pacientes e familiares denunciam a falta de médicos, medicamentos, materiais básicos e até dificuldades no atendimento dentro daquela que deveria ser uma das principais unidades de saúde do extremo sul da Bahia.
Enquanto isso, vemos deputados entregando ambulâncias, fazendo eventos e publicações nas redes sociais como se isso resolvesse os verdadeiros problemas da saúde pública. Ambulâncias são importantes, sem dúvida, mas de que adianta ter veículo para transportar pacientes se, ao chegar ao hospital, faltam médicos, remédios e estrutura mínima para atender a população?
O governo do estado segue anunciando investimentos em estradas, pontes, escolas e obras importantes para o desenvolvimento da Bahia. Porém, a pergunta que a população faz é simples: de que adianta construir grandes obras se a saúde das pessoas continua abandonada?
E o mais preocupante é perceber que esse problema não é exclusivo de Porto Seguro. Em várias regiões da Bahia, a população também reclama da precariedade da saúde pública, da falta de médicos, da demora em atendimentos, da ausência de medicamentos e da deficiência estrutural de muitos hospitais. Isso mostra que o problema vai além de uma questão local e revela uma crise que precisa ser enfrentada com mais seriedade e responsabilidade pelo governo estadual.
A saúde pública precisa ser tratada como prioridade absoluta. O sofrimento de quem depende do SUS não pode continuar sendo tratado com descaso ou empurrado de um lado para o outro em meio às disputas políticas.
Nos últimos dias, muitos políticos utilizaram as redes sociais para criticar o governador pela situação do hospital. Porém, grande parte dessas críticas acaba ficando apenas na internet. Falta cobrança firme e direta por parte daqueles que possuem aliados dentro do próprio governo estadual e que poderiam levar essa situação até o governador de forma mais contundente.
Recentemente, durante a visita do governador a Eunápolis, onde ele foi homenageado, vereadores ligados ao seu grupo político fizeram solicitações para que os problemas do hospital sejam resolvidos. Entre eles estão os vereadores Tiago Marcial, Robson Vinhais e a vereadora Lívia Bittencourt, que pediram atenção para a crise enfrentada pela saúde pública da região.
Outro vereador que vem fazendo críticas constantes à situação é Bolinha. Porém, chama atenção o fato de que muitas vezes não são citados outros aliados políticos do próprio governo estadual, como lideranças ligadas à deputada Cláudia Oliveira, do PSD, partido que integra a base de apoio do governador.
Enquanto isso, a troca de acusações entre o governo do estado e a Prefeitura de Porto Seguro aumenta a cada dia. De um lado, o governo estadual afirma que o município não estaria realizando corretamente os repasses financeiros destinados ao hospital. Do outro, o prefeito chegou a desafiar publicamente o governo, afirmando que renunciaria ao mandato caso fosse provado que os repasses municipais não estão sendo feitos.
A população acompanha essa disputa sem saber exatamente quem está falando a verdade. Mas uma coisa é certa: enquanto os políticos brigam e trocam acusações, quem sofre é o povo.
São famílias desesperadas, pacientes aguardando atendimento, pessoas sofrendo nos corredores e profissionais da saúde trabalhando muitas vezes sem condições adequadas para exercer suas funções.
O mais triste e revoltante é saber que, segundo relatos de moradores e familiares, várias pessoas já perderam suas vidas diante da precariedade enfrentada pelo hospital, seja pela demora no atendimento, pela falta de médicos, medicamentos ou pela ausência de estrutura adequada para socorrer os pacientes no momento em que mais precisavam.
Quando uma pessoa entra em um hospital, ela entra buscando ajuda, esperança e a chance de sobreviver. Infelizmente, muitas famílias têm saído daquele local carregando dor, revolta e o sentimento de abandono por parte do poder público.
O Hospital Luís Eduardo Magalhães não atende apenas Porto Seguro. Ele recebe pacientes de várias cidades da região, o que torna ainda mais grave o abandono vivido atualmente pela unidade.
A saúde não pode ser tratada como palanque político. A vida das pessoas precisa estar acima de disputas partidárias, interesses eleitorais ou vaidades políticas.
É preciso que os nossos governantes olhem para essa situação com mais responsabilidade, humanidade e respeito. O povo não quer saber quem está certo na discussão política. O povo quer apenas ser atendido com dignidade.
Porque quando falta médico, remédio e estrutura dentro de um hospital, não existe lado político. Existe sofrimento humano.
O povo de Porto Seguro e de toda a região não quer favor de político. Quer apenas o direito básico de ser atendido com dignidade. Porque enquanto os governantes discutem de quem é a culpa, pessoas continuam sofrendo, esperando atendimento e, infelizmente, algumas até morrendo por problemas que poderiam ser evitados com gestão, responsabilidade e compromisso com a vida humana.
