Cara a Cara com Roberto Nogueira
O que antes era lucro, hoje virou prejuízo — e dos grandes. A Correios registrou um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025, praticamente triplicando suas perdas e levantando uma pergunta inevitável: o que está acontecendo com a gestão das estatais no Brasil?
Não estamos falando de uma empresa qualquer. Os Correios são uma das instituições mais tradicionais do país, presentes em todos os cantos do território nacional e, durante muitos anos, considerados exemplo de operação lucrativa dentro do setor público.
Mas a realidade agora é outra.
Em apenas poucos anos, o que era resultado positivo se transformou em prejuízo bilionário. E o mais preocupante: sem uma explicação convincente que justifique tamanha deterioração.
A atual gestão tenta minimizar os números, apresentando planos de reestruturação e medidas como o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que, até agora, sequer atingiu metade da meta. Ou seja, além do problema financeiro, há também dificuldade na execução das soluções propostas.
E aqui entra um ponto que não pode ser ignorado: os Correios não enfrentam uma concorrência direta forte em várias de suas operações. Então, como uma empresa com essa estrutura e capilaridade consegue chegar a um prejuízo dessa magnitude?
A resposta pode estar onde poucos querem olhar: na forma de administrar.
Não se trata apenas dos Correios. O problema parece mais profundo. É a gestão do dinheiro público que, mais uma vez, entra em xeque.
Enquanto isso, o país segue se endividando, e a conta, como sempre, acaba nas mãos do contribuinte. Porque, no fim das contas, prejuízo de estatal não desaparece — ele é pago, direta ou indiretamente, pela população.
A pergunta que precisa ser feita, sem rodeios, é simples: estamos diante de uma crise operacional ou de uma crise de gestão?
Porque quando uma empresa que já deu lucro passa a acumular bilhões em prejuízo, o problema dificilmente está apenas no mercado.
Está, sobretudo, em quem administra.
E enquanto essa resposta não vier com clareza e responsabilidade, o risco é o mesmo de sempre: mais prejuízo, mais dívida e menos confiança.
