Cara a Cara – Roberto Nogueira
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o vereador Tiago Marcial denunciando o vandalismo em uma quadra recém-reformada pela Prefeitura, localizada em frente ao Colégio Álvaro Henrique.
A cena revolta — mas também levanta uma pergunta que poucos têm coragem de fazer: de quem é, de fato, a culpa?
É fácil apontar o dedo para quem destrói. Mas será que o problema começa ali? Ou será que ele é reflexo de algo muito maior: a ausência do poder público onde ele deveria estar presente?
Não adianta reformar hoje e assistir à destruição amanhã. Isso não é solução — é desperdício de dinheiro público.
E mais: esperar que a população, por si só, tenha consciência e educação para cuidar do que é público é ingenuidade — ou omissão.
A verdade precisa ser dita: falta presença, falta fiscalização e, principalmente, falta educação.
Não basta cobrar respeito. É preciso ensinar.
Onde estão as campanhas educativas? Onde estão as ações das autoridades competentes para conscientizar a população de que o bem público é de todos nós?
Sem orientação, sem presença e sem consequência, o resultado é esse: abandono, depredação e dinheiro jogado fora.
E aqui entra uma questão ainda mais polêmica: se não há controle, não há cuidado — e, sem cuidado, talvez seja necessário repensar até o acesso ao espaço.
Se for preciso, que se estude a possibilidade de fechamento controlado da quadra, com horários definidos ou monitoramento, para evitar que o patrimônio público continue sendo destruído. Pode não ser a solução ideal, mas é melhor do que assistir, de braços cruzados, à repetição do mesmo problema.
O vereador faz seu papel ao denunciar. Mas é preciso ir além da crítica pontual. É necessário cobrar medidas concretas:
👉 presença da guarda municipal
👉 fiscalização contínua
👉 campanhas educativas sérias e permanentes
👉 e, se necessário, controle de acesso ao espaço
Porque a realidade é dura: muita gente ainda não tem consciência do que é coletivo. E isso não se resolve apenas com tinta nova na parede.
Se nada mudar, vamos continuar assistindo ao mesmo filme: obra feita, obra destruída… e a conta, como sempre, paga pela população.
Trancoso não precisa apenas de reformas.
Precisa de ordem, educação e responsabilidade.
E isso começa com quem tem o dever de liderar.
