Cara a Cara/Roberto Nogueira
O Brasil vive um momento preocupante. A insegurança jurídica e política deixou de ser exceção e passou a fazer parte do cotidiano da sociedade.
O que deveria transmitir confiança — o sistema de Justiça — hoje é alvo de questionamentos constantes. Decisões controversas, relações que levantam dúvidas e posturas que soam desconectadas da realidade têm contribuído para o desgaste das instituições.
O caso mais recente, envolvendo o julgamento sobre as eleições no estado do Rio de Janeiro, escancara esse cenário. O processo ainda está em andamento, com o placar em 1×1 entre os ministros — um retrato claro da divisão dentro da própria Suprema Corte.
De um lado, a defesa por eleições diretas imediatas. Do outro, o alerta sobre a inviabilidade de realizar dois pleitos em menos de seis meses, com alto custo e evidente instabilidade. No meio disso tudo, fica a população, mais uma vez, diante da incerteza.
A pergunta que não pode ser ignorada é simples: onde está o bom senso?
Não se espera unanimidade, mas espera-se responsabilidade. Não se exige perfeição, mas exige-se coerência. O país não pode ser conduzido por decisões que desconsideram a realidade e ampliam a desordem.
Autoridade não é sinônimo de poder absoluto. Muito menos de vaidade.
O Brasil precisa de equilíbrio, seriedade e respeito à sua própria estabilidade institucional. A Justiça deve ser um pilar de segurança — não uma fonte de dúvidas.
