Jornal Trancoso News
A família de Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, voltou ao centro de uma nova polêmica em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. Desta vez, a controvérsia envolve a construção de um beach club na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda, em uma área ambientalmente protegida.
A obra é realizada pela empresa Milo Investimentos S.A., pertencente a Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel Vorcaro, em um terreno de aproximadamente 6 mil metros quadrados, situado em área de restinga, classificada como Área de Preservação Permanente (APP) e integrante do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro, tombado pelo patrimônio histórico.
As irregularidades vieram à tona após a divulgação de um vídeo publicado em 14 de janeiro pelo ativista ambiental Tadeu Prosdocimi, que mostra supressão de vegetação nativa, abertura de clareiras, areia revolvida e troncos cortados. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) confirmou que a obra foi iniciada sem as licenças federais obrigatórias, mesmo já se encontrando em estágio avançado, com piscina e estruturas de madeira.
Além das infrações ambientais, há indícios de irregularidades administrativas. Conforme normas da Prefeitura de Porto Seguro, o alvará de construção deve estar afixado em local visível ao público, na parte externa do terreno, preferencialmente na frente da obra. No entanto, segundo as fotos que embasam a denúncia, o documento estaria colocado no interior do imóvel, fora do campo de visão externa, o que compromete a transparência e dificulta a fiscalização por parte da população e dos órgãos competentes.
O Iphan também avalia que o terreno pode se sobrepor a área de marinha, o que exigiria manifestação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e considera que a obra poderá ser embargada, com baixa possibilidade de regularização. Soma-se a isso uma dívida de IPTU existente desde 2022, fator que, pela legislação municipal, impediria a concessão de novas licenças.
O responsável pela obra, Genaro Campos, afirma que se trata apenas de uma reforma de imóvel antigo, com alvará municipal emitido em 2024, e nega a supressão de restinga, alegando a retirada apenas de vegetação invasora. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Porto Seguro não havia se manifestado oficialmente.
O episódio amplia o debate sobre o respeito às normas ambientais, urbanísticas e administrativas em uma das áreas costeiras mais sensíveis e valorizadas da Bahia, levantando questionamentos sobre fiscalização, transparência e igualdade no cumprimento da lei.



