Cara a Cara
Esses dias vi um site de notícias regional, claramente ligado à esquerda, publicando uma matéria com discurso alinhado à direita. Confesso que, num primeiro momento, fiquei satisfeito. Mas logo em seguida veio a preocupação: até que ponto isso representa uma mudança real de consciência — ou seria apenas uma estratégia para ganhar leitores?
É difícil acreditar que alguém ideologicamente ligado à esquerda, muitas vezes profundamente alienado, mude de posição da noite para o dia. Não se trata apenas de preferência política. A esquerda deixou de ser, há muito tempo, apenas um conjunto de partidos. Para muitos, transformou-se em uma verdadeira seita ideológica, que condiciona o pensamento, limita o questionamento e transforma a discordância em pecado.
Quando a informação passa a ser usada como ferramenta de conveniência, perde-se a credibilidade. Publicar um discurso que não se pratica, apenas para atrair audiência, não é pluralidade — é oportunismo. A liberdade de expressão só é verdadeira quando há coerência entre o que se publica e o que se acredita.
Vivemos tempos em que a narrativa vale mais do que a verdade. Veículos que antes atacavam qualquer pensamento conservador agora flertam com ele, não por convicção, mas por necessidade. O leitor mudou, cansou de manipulação, e isso assusta quem sempre viveu de impor uma única visão de mundo.
Mas é preciso cautela. Uma matéria isolada não representa mudança de postura, muito menos conversão ideológica. Ganhar leitores falando o que eles querem ouvir é fácil; difícil é manter princípios quando eles custam audiência, patrocínio e influência.
Cara a cara com a realidade, fica claro que ideologia sem senso crítico aprisiona. Seja à esquerda ou à direita, quando o pensamento deixa de ser livre, nasce a alienação. E onde não há liberdade de pensar, não há jornalismo — apenas propaganda.
É verdade que vivemos em um país democrático, onde todos têm o direito de fazer suas escolhas, sejam elas de direita ou de esquerda. O que não pode faltar é respeito à democracia, às instituições e aos valores éticos e morais. O Brasil precisa estar acima de qualquer partido ou ideologia.
Causa estranheza quando partidos de esquerda pregam o socialismo, mas vivem o oposto do que defendem. Falam em liberdade, mas tentam controlar a mídia e as redes sociais. Discurso de solução de problemas que não se sustenta na prática, já que foi justamente em governos de esquerda que vimos o aumento de crises — não apenas no campo financeiro, mas também no intelectual e moral. Essa contradição revela uma demagogia clara e um sensacionalismo barato, que acaba arrastando muitas pessoas para uma realidade dura e frustrante.
O que o Brasil realmente precisa é de mais empregos, educação de qualidade e um sistema de saúde digno. Só assim as pessoas passarão a compreender seus verdadeiros direitos e o poder que têm de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e melhor de se viver.
Ser brasileiro é lutar por uma nação forte, soberana e livre, onde a verdade, a responsabilidade e o amor ao país estejam acima de qualquer projeto de poder.
Roberto Nogueira
